Em contrapartida, profissionais sêniores e gestores C-level lançam estratégias para reposicionar carreiras de modelos, que veem seu pico de sucesso entre quatro e cinco anos, segundo dados cruzados da plataforma Gitnux.
Da Redação com agências – Fotos Patricia Vasconcelos
De acordo os últimos insights da Gitnux, que cruza mais de 80 fontes oficiais como Vogue, Euromonitor e IMD, o ‘mercado internacional de modelos’ segue disparado para atingir os R$ 211 bilhões injetados na economia global até o ano de 2030.
Esse fenômeno é conduzido pelas agências de modelos, que alcançaram o patamar de 1,2 mil escritórios ativos, somente no ano de 2023. Os desafios, por outro lado, têm se mostrado alarmantes. Diante da curta duração (quatro a cinco anos) das ‘top models’ no topo do mercado, a indústria fashion viu as mais de 15 mil new faces que surgiram em 2022 prestes a sair de cena, segundo a Gitnux.

Em contrapartida, manter o interesse nas modelos e ‘reposicionar’ estrategicamente suas carreiras depende da atuação de profissionais sêniores do mercado da moda. Esse é o caso da gestora C-level e empresária do ramo de model’s agency, Mônica Mota, que observa as mudanças na indústria fashion desde o ano de 1992, quando fundou a Model Club Agency – agência que revelou modelos como Josefa Santos, Camille Vitória e mais de 100 talentos internacionais nos últimos 10 anos.
“O grande gargalo dessa indústria nunca foi a falta de talentos. É sobre a ausência de uma visão executiva sobre a longevidade das modelos. Mesmo o mercado global da moda movimentando a economia, o setor opera sob uma lógica de descarte que ignora o potencial de maturação da modelo enquanto marca”, explica.

Um dos maiores exemplos dessa construção, segundo Mônica, é a longevidade da carreira de Ágatha Borges, modelo reconhecida pelo estilista Giorgio Armani e que foi descoberta pela empresária ainda aos 14 anos. Hoje, aos 30 anos, a top model segue realizando trabalhos internacionais, intercambiando experiências com as modelos mais novas. “Ágatha possui o título de ‘modelo mais experiente’ da Model Club Agency, e é um verdadeiro orgulho para nós. Estamos falando do desafio de não só escalar talentos, como mantê-los sustentáveis sob uma ótica que só vemos por debaixo dos panos”, afirma.
Remando contra o fenômeno da taxa de rotatividade nas agências de modelos, que beirou os 28% em 2023, de acordo com a Gitnux, Mônica traz o olhar atento para as ‘new faces’ do mercado. Em contato com a principal agência de modelos, a ‘IMG Models’, além de articulações com agências de Milão, Londres e Buenos Aires, a empresária faz parte da movimentação do mercado de modelos na América Latina, que subiu 9% ainda nesta década.
Consolidada como um dos grandes players do mercado atual, Mônica explica que o modelo de gestão é seu grande diferencial. A empresária aposta em estratégias que combinam curadoria de portfólio, desenvolvimento de marca pessoal, contratos internacionais, campanhas publicitárias, licenciamento de imagem, presença digital, além dos bastidores na captação ativa de clientes e no relacionamento com outros players, organizando o casting para atender diferentes nichos do mercado.
“Embora o mercado possua uma movimentação intensa, muitas agências enfrentam a taxa de rotatividade e ameaçam perder seus talentos, com foco agora na safra de 2022. Esse fenômeno, que infelizmente acaba se renovando, pode ser modificado a partir de uma gestão estruturada, que enxergue a modelo como um ‘ativo’ de longo prazo e não apenas como uma oportunidade momentânea de mercado”, conclui.










