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Geração Z busca estabilidade enquanto redefine sua relação com o trabalho

Jovens priorizam segurança e direitos da CLT, mas rejeitam estruturas rígidas, criando um desafio para empresas que buscam atrair e reter talentos

Da Redação com agências – Fotos divulgação

O mercado de trabalho vive inúmeras transformações, e a Geração Z protagoniza um dos movimentos mais paradoxais da atualidade ao entender que, mesmo valorizando estabilidade e segurança, também rejeita os modelos tradicionais de trabalho. O fenômeno já aparece em dados recentes e acende um alerta para empresas que enfrentam dificuldades crescentes na atração e retenção de jovens talentos.
 

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que mais de um terço dos brasileiros (36,3%) prefere empregos com carteira assinada, índice que sobe entre os mais jovens: 41,4% na faixa de 25 a 34 anos e 38,1% entre 16 e 24 anos. A principal razão é clara: acesso a direitos trabalhistas, previsibilidade de renda e proteção social seguem sendo fatores decisivos, especialmente no início da carreira.


 

Ao mesmo tempo, essa mesma geração demonstra menor tolerância a estruturas rígidas, hierarquias tradicionais e jornadas inflexíveis. A busca por autonomia, propósito e equilíbrio entre vida pessoal e profissional vem redesenhando as expectativas em relação ao trabalho, criando um desalinhamento entre o que as empresas oferecem e o que os jovens realmente valorizam.
 

Uma pesquisa citada pela Forbes com base em dados do LinkedIn mostra que 72% dos jovens da Geração Z já deixaram ou pensaram em deixar empregos que não ofereciam flexibilidade. Ainda nesse recorte, dados da Deloitte indicam que 63% preferem modelos híbridos, combinando presença e autonomia.
 

“O jovem profissional quer segurança, mas não está disposto a abrir mão de flexibilidade e protagonismo na carreira. Esse é o grande paradoxo que as empresas precisam aprender a gerenciar. Modelos engessados, com pouca escuta e baixa adaptabilidade, tendem a afastar essa geração, mesmo quando oferecem estabilidade”, afirma Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, empresa de recrutamento e seleção.
 

Os impactos desse descompasso já são perceptíveis. Segundo a própria pesquisa da CNI, cerca de 20% dos trabalhadores afirmam não encontrar oportunidades alinhadas às suas expectativas, um indicativo de que o problema não está apenas na oferta de vagas, mas na aderência entre proposta e desejo do profissional.
 

Para o especialista, o cenário exige uma revisão profunda das estratégias de gestão de pessoas. Benefícios tradicionais já não bastam e é preciso combinar segurança com flexibilidade, autonomia com desenvolvimento contínuo e propósito com resultados.
 

“Entender a Geração Z passa menos por criar novos benefícios e mais por revisar a forma como o trabalho é estruturado e comunicado. Iniciativas como modelos híbridos bem definidos, trilhas de carreira mais transparentes, incentivo ao desenvolvimento contínuo e espaços reais de escuta ganham protagonismo. Não basta oferecer flexibilidade no discurso. É preciso traduzir isso em práticas do dia a dia, com lideranças mais acessíveis e abertura para que o jovem participe das decisões. Quando ele percebe que tem voz e perspectiva de crescimento, o engajamento aumenta significativamente”, finaliza Elcio.