Nascida como spin-off da Keep.i, a Jumpe reúne dados, análise e automação em uma única camada para reduzir a fricção entre insight, decisão e execução
Da Redação com agências – fotos divulgação
A startup paulistana Jumpe chega ao mercado com uma proposta ambiciosa: ser a inteligência capaz de entender a rotina dos líderes e sugerir, com base nesse contexto, quais decisões priorizar e quais ações colocar em movimento.
A aposta acontece em um momento em que a IA já entrou nas empresas, mas ainda não virou operação em escala: segundo a Deloitte, o acesso dos profissionais à inteligência artificial cresceu 50% em 2025, mas apenas 34% das organizações estão usando a tecnologia para transformar profundamente seus negócios, processos ou modelos operacionais.

Esse cenário reforça o papel de líderes e profissionais de alto impacto como agentes centrais da adoção eficiente da IA. Mais do que testar ferramentas, esse profissional precisa entender onde estão os gargalos do time, quais tarefas podem ser automatizadas, quais processos devem ser redesenhados e como transformar dados, reuniões, dashboards, relatórios, apresentações e e-mails em decisões mais rápidas e ações mais coordenadas.
Pesquisas recentes reforçam esse ponto: a BCG aponta que a percepção positiva sobre GenAI entre funcionários de linha de frente sobe de 15% para 55% quando há forte apoio da liderança, enquanto a Microsoft indica que fatores organizacionais como cultura, alinhamento da liderança e práticas de talento explicam mais do que o dobro do impacto percebido da IA em comparação ao esforço individual isolado. É para esse profissional que a Jumpe foi criada.
A plataforma reúne dados, dashboards, reuniões, apresentações, relatórios e e-mails em uma única camada de análise. A partir dessa jornada, o sistema aprende como a operação funciona, identifica padrões, interpreta sinais dispersos e recomenda ações mais assertivas para acelerar decisões e execução.
Idealizada por Roberto Cabrera, cofundador da Keep.i, plataforma pioneira de visualização de dados no Brasil, a startup nasce como uma evolução dessa trajetória: deixa de atuar apenas na organização e visualização de informações para se posicionar como uma camada inteligente de apoio à decisão e à execução em marketing e vendas.
A nova solução parte da experiência acumulada em mais de 10 anos de operação da Keep.i, que conectou mais de 25 mil marcas e gerou mais de 150 mil painéis analíticos, com integrações às principais ferramentas do mercado. Com a conclusão da venda da Keep.i, no fim de 2025, o time decidiu reconstruir toda a arquitetura da solução, criando uma plataforma concebida desde a origem para a era da inteligência artificial.
Na prática, a solução substitui a rotina baseada em dashboards, reuniões e múltiplas ferramentas por uma camada conversacional com memória persistente, governança e execução integrada. A proposta, segundo a empresa, não é substituir o julgamento humano, mas ampliar sua velocidade. “Durante anos, ajudamos empresas a organizar dados. Mas ficou evidente que o problema já não era a visualização. O novo gargalo passou a ser o modelo de decisão atual”, explica Cabrera.
O funcionamento parte da linguagem natural. O usuário pode perguntar quanto investiu em mídia no mês e o que retornou em pipeline, cruzando dados de Meta, Google e CRM em uma única resposta. A ferramenta também gera apresentações executivas, cria dashboards a partir de comandos, automatiza relatórios recorrentes, identifica clientes com risco de churn e dispara automações conectadas ao CRM e às plataformas de mídia.
Toda a operação acontece sobre uma camada que acumula contexto a cada interação. O sistema aprende prioridades, histórico e critérios de decisão de cada empresa e incorpora governança configurável. Cabe aos líderes definir quais ações podem ser executadas de forma automática e quais exigem aprovação humana. “Autonomia não significa ausência de controle. O papel da IA é acelerar a execução. O papel do humano continua sendo julgamento”, pontua o executivo.
Por trás dessa experiência, há uma camada de orquestração que define qual modelo, ferramenta ou agente utilizar em cada situação, sem exigir conhecimento técnico do usuário. O sistema que pretende disponibilizar 100 fontes de dados ainda no seu primeiro mês já está disponível nesta fase de lançamento com as principais ferramentas utilizadas pelos líderes.
A startup se posiciona como o sistema operacional do líder moderno. O diferencial, segundo a empresa, não está apenas no uso de modelos generativos, mas na combinação entre memória operacional persistente, orquestração, governança e execução sobre diferentes plataformas. “Ferramentas multiplicam direção. Não escolhem a direção”, observa Cabrera.
O posicionamento sustenta uma tese organizacional mais ampla. Para a empresa, as organizações dependerão cada vez menos de coordenação humana distribuída e mais de concentração de contexto para decidir. A leitura é a de que a inteligência artificial transforma a execução em commodity, enquanto o julgamento se torna o ativo mais escasso dentro das organizações.
A construção da plataforma reúne uma equipe com trajetória em operações, produtos e infraestrutura. Ao lado de Cabrera, o núcleo executivo conta com Vitor Queiroz como CTO, com passagem anterior pela escola de tecnologia e games Neverest, Antonio Melo como COO, integrante da estrutura original da Keep.i, e Wellington Rodrigues como CPO, responsável pela arquitetura de produtos da plataforma.
A visão por trás da Jumpe é resultado de mais de duas décadas na intersecção entre comunicação, dados e tomada de decisão. Cabrera iniciou essa trajetória na célula de healthcare da W/McCann, onde atuou como líder de Dados desenvolvendo modelos de análise e mensuração para apoiar estratégias de marca, relacionamento e performance. Foi a partir dessa experiência que nasceu a Keep.i, plataforma pioneira de visualização de dados no Brasil. Após mais de 10 anos de operação e a venda concluída no fim de 2025, Cabrera passou a concentrar sua atuação em uma nova tese: usar inteligência artificial para reduzir a distância entre contexto, decisão e execução dentro das empresas, visão que agora se materializa na plataforma.
No lançamento, a solução mira fundadores e líderes multitarefa, heads de growth e de operações de mídia, empresas B2B com estrutura analítica enxuta e agências que precisam escalar a operação sem ampliar o quadro.
“A IA não substitui julgamento. Ela reduz o custo operacional entre intenção e execução. É isso que muda completamente a forma como as empresas vão operar nos próximos anos”, conclui Cabrera.










